03/09/2011

Entrevista para o site Recife Metal Law

Apesar de seu pouco tempo de existência, a banda pernambucana Pandemmy vem ganhando certo respaldo no meio Underground, tendo, inclusive, representado o Estado na seletiva final do W:O:A: Metal Battle – Brasil, ocorrida em Varginha/MG, dentro do festival Roça ‘n’ Roll. Mesmo com o pouco tempo de existência e a idade de seus músicos, a banda mostra competência e profissionalismo, seja em seus shows ou em seus lançamentos, estes de uma qualidade indiscutível. Recentemente a banda lançou um EP, intitulado “Idiocracy”, o qual só mostra o potencial do Pandemmy, que atualmente é formado por Rafael Gorga (vocal), Pedro Valença e Diego Lacerda (guitarras), Augusto Ferrer (baixo) e Ricardo Lira (bateria). O próximo passo da banda é o show com as bandas Belphegor e Ragnarok, mas antes disso fiquem com a entrevista a seguir.

Recife Metal Law – Vamos começar falando da primeira Demo, “Self-Destruction”, que foi lançada no ano passado, quando o Pandemmy tinha apenas um ano de existência. De que forma vocês analisam a importância desse primeiro trabalho para a recente carreira da banda?

Pedro Valença –
Este trabalho não é só especial por representar o início de nossa jornada, mas também pela repercussão que ele trouxe a banda. Fizemos bastantes shows em várias cidades do Nordeste, tivemos ótimas resenhas nas principais mídias do Heavy Metal nacional.

Recife Metal Law – E como foram trabalhadas as músicas que fariam parte do segundo trabalho da banda, que foi lançado no formato EP?
 
Pedro – Após a mini-tour que fizemos ao lado do Andralls em setembro do ano passado, dedicamos os meses de outubro e novembro para finalizarmos as novas composições. Eu já tinha boa parte das músicas prontas, mas nestes ensaios nós melhoramos os arranjos e em dezembro já iniciamos as gravações.
Recife Metal Law – O EP é intitulado de “Idiocracy”, que é uma junção, acredito eu, entre as palavras “Idiota” e “Democracia”. Qual foi a razão de intitular o EP dessa forma?

Rafael Gorga –
Exatamente. Foi uma forma de ilustrar a situação sócio-econômica na qual o mundo se encontra há gerações. Vivemos, como o nome indica, em diversas “democracias de idiotas”, governadas por corruptos idiotas, e por muitos outros idiotas que, propositalmente, se deixam corromper e enganar. A idiotice retratada na verdade corresponde a muitas: A passividade e a ignorância do povo, a ‘cara lisa’ utilizada por figuras políticas como forma de sedimentar suas mentiras na mente do referido povo, etc. Até aqueles que enfrentam a opressão, como por exemplo, grupos que se autodenominam ‘lutadores da liberdade’, por vezes vencem e tornam-se muito piores do que aqueles que destronaram. A história Africana está aí pra mostrar diversos exemplos disto, mas você não precisa necessariamente olhar longe para encontrar coisas assim.

Recife Metal Law – Esse novo trabalho mostrou bastante maturidade por parte dos músicos, conseguindo deixar a sonoridade do Pandemmy bem definida, nos mostrando uma banda com bastante personalidade, fazendo um forte Thrash/Death Metal. O resultado final desse novo material foi satisfatório para a banda?

Augusto Ferrer –
O resultado foi excelente! Tudo fruto do esforço do grupo somado ao trabalho com gente competente como Adriano Leão, Alcides Burn e Magno Lima. “Idiocracy” saiu do jeito que a gente queria e foi muito bem recebido por todos que acompanham o Pandemmy.
Recife Metal Law – As músicas, mesmo podendo ser classificadas como Thrash/Death Metal, não soam iguais e cada uma traz sua peculiaridade, sempre alternando andamentos e ‘pegadas’. Isso foi algo premeditado?

Pedro –
Sempre tivemos a intenção de fazer uma música diferente da outra, assim como um lançamento diferente do outro, como foi no caso da Demo “Self-Destruction” e do EP “Idiocracy”. Achamos que é essencial essa diversificação entre as canções, porque explorar novos elementos, mantendo a identidade e a pegada do Pandemmy, só faz enriquecer nosso trabalho. Além de ser um desafio e tanto pelo fato de gastarmos bastante tempo em cada composição.

Recife Metal Law – Uma de minhas músicas preferidas é “Involution of a Lost Society”, que já havia sendo tocada nos shows da banda. Essa música é bem direta, pesada e veloz. Foi por esse motivo que ela foi escolhida para abrir o EP?

Pedro –
Foi este o motivo sim. É uma canção bem enérgica e achamos que seria ideal abrir o EP com ela, além de ser uma de nossas músicas preferidas.

Recife Metal Law – Já “Through Twisted Paths” vem mais densa, mesmo apresentando momentos velozes, em alguns andamentos. Inclusive houve o uso de teclados nessa música que, confesso, criaram uma atmosfera bem interessante. Alguém da banda ficou ressabiado em colocar teclados nessa música?

Pedro –
Não, todos concordaram com a ideia de usarmos arranjos de teclados para enriquecer determinadas passagens e riffs das músicas do EP. O Joabson Brantwein (Gandavo, Uncivilized) foi responsável por fazer esses arranjos e nós ficamos muito satisfeitos com o trabalho dele. Nos próximos trabalhos manteremos essa parceria.
Recife Metal Law – A última música, “Titan of the Void”, mesmo com sua rispidez, traz momentos carregados de melodias, lembrando, bastante o Melodic Death Metal, e até mesmo a banda brasileira Vulture. Isso é uma tendência a ser mais explorada pelo Pandemmy?

Pedro –
Temos a intenção de explorar mais esses elementos, pois somos bastante influenciados por bandas como Amon Amarth, Arch Enemy, Children Of Bodom e Dark Tranquillity. Há bandas de Thrash Metal que também exploram bastantes melodias e que também acabam nos influenciando, como é o caso do Megadeth, Metallica e o Kreator, nessa fase mais recente. Obviamente não forçaremos uma mudança repentina de estilo, pois tudo deverá ocorrer de forma natural.

Recife Metal Law – Novamente vocês capricharam na parte lírica, com letras inspiradas. Eu gostaria que vocês, resumidamente, falassem sobre a temática lírica de cada música apresentada em “Idiocracy”.

Rafael –
As letras falam, em geral, de diversos elementos que agem como um câncer na mente do ser humano... “Involution of a Lost Society”, esta de Pedro, fala sobre a decadência da sociedade atual, que ao invés de evoluir, dá passos para trás; A faixa título dá um resumo da ideia do EP; “Point of no Return” fala sobre o ponto em que a paixão religiosa torna-se fanatismo; “Through Twisted Paths” clama por uma maior politização da sociedade, para que a mesma saiba quem está colocando no poder, enquanto que “The Price of Dignity” nos lembra do suor que damos em nossa vida e nosso trabalho, apenas para sermos pisoteados por aqueles que supostamente nos comandam. “Titan of the Void” é mais abstrata, falando sobre a queda da raça humana sob o ponto de vista de um deus ou criatura sobrenatural que, assim como nós, é filha da Terra, e observa nosso iminente fim com olhos cheios de tristeza e desapontamento.

Recife Metal Law – Vocês vêm fazendo diversos shows, tanto em Pernambuco como em outras partes da região Nordeste. Qual a importância dos shows para a banda?

Diego Lacerda –
O Pandemmy vem numa crescente de shows graças ao reconhecimento do público e do nosso trabalho. Cada show apresentado pela banda tem a sua importância, onde alguns fatores influenciam muito, tais como a execução em palco, qualidade de som, movimentação, concentração e sempre buscando fazer o melhor e focando no profissionalismo da banda, sem falar da divulgação do nosso som.

Recife Metal Law – Por falar em shows, o Pandemmy foi o representante pernambucano na grande final do W:O:A Metal Battle, ocorrido em Varginha /MG. Houve certo nervosismo ou apreensão em tocar na final, ainda mais que a mesma ocorreu dentro do Roça ‘n’ Roll?

Ricardo Lira –
Um pouco. O nervosismo acontece pelo fato de estar se apresentando em um festival do porte do Roça n’ Roll e sendo julgado por membros importantes da Roadie Crew. Mas apesar do pouco tempo, ensaiamos bastante antes do show, isso nos fez adquirir segurança e confiança para chegar lá em Varginha com tudo.

Recife Metal Law – No próximo dia 04 de setembro vocês serão responsáveis por abrir o show do Belphegor e Ragnarok em Recife. O que o público pode esperar dessa apresentação?

Pedro –
Preparamos um repertório bem agitado, com nossas músicas mais rápidas e mais pesadas. Será um show bem direto. Tocaremos um cover especial para essa apresentação. Aproveito o espaço para agradecer aos produtores Léo Frias (Alive Studio), Marco Duarte (Hate Music) e Alcides Burn (The Burn Productions) pela oportunidade de sermos a banda de abertura desse grande evento. Dividir palco com o Belphegor e com o Ragnarok entrará para história do Pandemmy e será um dos nossos shows mais importantes.
Recife Metal Law – Recife é bem conhecido por abrigar shows lendários, na região Nordeste, mas de uns tempos para cá as coisas parecem ter esfriado. Qual seria o motivo para isso?

Augusto –
Acho que é obvio que esfriou. A razão é porque não está dando o retorno esperado aos produtores. Produzir um show “lendário” exige muito jogo de cintura por parte da produção. Ninguém de sã consciência arriscaria seu dinheiro pra agradar um público muitas vezes ingrato, numa cidade em que os espaços pra show de Metal estão cada vez mais raros.

Recife Metal Law – Um dos locais que abrigavam eventos de natureza Underground, o Bomber Rock Bar, fechou suas portas. Primeiro foi o Dokas, depois o Armazém 14 foi deixado em segundo plano, em razão dos altos valores cobrados e agora o Bomber. Isso, para as bandas que estão começando, que não têm muito espaço, é algo preocupante. Não acham?

Augusto –
É realmente um pena o que vem acontecendo, mas o Underground é meio imortal, saca? Sempre vão existir Metalheads dispostos a fazer a coisa acontecer, onde quer que seja. Dokas e Armazém eram os tops do Underground, mas a galera sempre deu um jeito de manter o movimento. Certamente será assim após o fim do Bomber.

Recife Metal Law – A banda participou do tributo “Ratamahatta – De Pernambuco Para o Mundo: Um Tributo ao Sepultura”, o qual, como seu próprio nome diz, trouxe apenas bandas de Pernambuco fazendo versões de músicas do Sepultura. A música escolhida pelo Pandemmy foi “Convicted in Life”, do álbum “Dante XXI”. Por que vocês escolheram essa música?

Pedro –
“Convicted In Life” é uma das melhores músicas do Sepultura, em nossa opinião, e representa bem o potencial que essa nova formação do Sepultura tem a nos oferecer como fãs e músicos. Como já tinham muitas músicas da fase Max no tributo, resolvemos escolher uma música da fase atual da banda, sem contar que foi um grande prazer para a banda participar desse merecido tributo.

Recife Metal Law – Voltando a falar sobre o EP, Fausto Prieto foi o responsável pela gravação da bateria e, diga-se, fez um excelente trabalho, mas após a gravação ele foi substituído por Ricardo Lira. Qual a razão para que Fausto saísse do Pandemmy logo após a gravação do EP?

Pedro –
Sendo bem sincero, Fausto saiu da banda por questões técnicas e questões de relacionamento com a banda. Para evitar mais desgaste entre ambas as partes, optamos pela saída do Fausto. Com certeza não foi uma decisão fácil, mas para o futuro do Pandemmy foi melhor assim. Ricardo já está muito bem entrosado com todos nós e tem contribuído muito em diversos aspectos para a banda.

Recife Metal Law – O espaço agora é de vocês. Acrescentem algo que porventura não tenha sido perguntado e que vocês achem esclarecedor para os leitores...
Pedro – Muito obrigado, Valterlir, por mais esta grande oportunidade de sermos entrevistados para o Recife Metal Law. Parabéns pelo seu trabalho com este site, que é um dos melhores portais do Brasil dedicados ao Heavy Metal. Convocamos todos os Metalheads para comparecerem ao show do Belphegor e Ragnarok, onde seremos a banda de abertura. Será um evento memorável! Acompanhe nossas mídias sociais, nosso blog, que é nosso principal canal de notícias e nosso Myspace. Em breve teremos boas novidades! Keep Spreading The Pandemmy!

Entrevista por Valterlir Mendes

KSTP

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